24/08/09 - 19h00
Sérgio Saraiva
Ex-pescador lamenta massacre das francas
Entre os inúmeros observadores da evolução das baleias francas nas praias de Garopaba, um dos mais encantados com o que estava vendo era o construtor de barcos de pesca artesanal Rozemiro de Souza, 73 anos, que hoje vive parte do ano em Garopaba e outra no Rio Grande do Sul.
| |
Fotos: Sérgio Saraiva |
 |
|
A psicóloga Karina Federbusch tenta entender o deslumbramento das pessoas com a observação de baleias |
Isso porque, tal qual os pescadores mais antigos desta centenária vila de pescadores, Rozemiro participou de várias caçadas aos cetáceos, dos quais era extraído óleo para uso industrial.
Ele conta que, por volta de 1952, quando era ainda adolescente, participou da caçada de uma baleia e, até hoje, ouve os lamentos da adulta pelo filhote morto pelos pescadores como forma de atrair a mãe. “Ela demorou muito para morrer e, na época, não entendíamos o valor destes animais”, diz o construtor naval.
|
Rozemiro lembra a matança do passado e se emociona com os shows da baleias agora protegidas |
Fascínio – A psicóloga Karina Federbusch, moradora de Garopaba, é uma das pessoas que tirou o domingo para observar as baleias comodamente sentada nas pedras do costão de Morrinhos, que divide a praia central e a do Siriú. “Saber que estes animais mitológicos estão aqui a poucos metros de mim, praticamente fazendo parte da minha rotina, parece algo surreal. É diferente de alguém te mostrar uma foto... A idéia da baleia que vive lá no fundo do mar estar ali na tua frente, é uma mistura de alegria e fantasia, que não sei explicar”, descreve.
|
Barco lotado de observadores se depara com a baleia de barriga para cima na praia do Siriú |
“Saber que aqueles animais tão grandes, que habitam nosso imaginário desde criança, estão a alguns metros na nossa frente mexe com nossas emoções. Elas permeiam as histórias infantis, e muitos de nós já viajamos dentro de suas barrigas em algumas dessas histórias quando éramos pequenos. Por isso acredito que sentimentos infantis e adultos se misturam quando temos a oportunidade de vê-las a olho nu. A prova disto está no fato de que se observarmos o comportamento de um adulto ao avistá-las, podemos facilmente confundir com o deslumbre de uma criança ao ver a fantasia tornando-se realidade. Este sentimento é algo tão particular que não temos como mensurar, varia de acordo com o tanto que nos entregamos a ele. Por isso, quando avistar uma baleia, permita-se sentir, vivenciar e virar criança de novo, vale à pena!”, analisa ela.
|
| Mãe aparece em foto na praia central |
|