Além de sonhador, sou um caçador de imagens. Dentro das minhas obras tenho uma temática “Gente” e, dentro dela, sub-temáticas “Vendedores de Praia”, “Surfistas”, “Construtores de Castelos de Areia”, etc. Tenho as fotos das obras assim arquivadas no computador.
Revisando ontem meus arquivos, revi um trabalho que fiz na década de 80 do século passado. Gente, século passado, mais de vinte anos já se passaram depois disto. Deixa pra lá que isto rende outra crônica.
Como disse, ao rever as imagens de trabalhos que fiz na ocasião, me lembrei imediatamente de meu amigo Eduardo Lunardelli, que tem um Blog genial, o “Varal de Idéias”.
Junto a crônica estão imagens de alguns dos trabalhos que fiz baseado em personagens reais que conheci em Cabo Frio, numa viagem de quatro meses pela costa do Brasil: como o Seu Amaro Cesteiro e família.
Artesão habilidoso vende, com a ajuda dos filhos, a sua produção na praia. Colhi na ocasião uma grande quantidade de fotos que me renderam informações para pintar trabalhos em pinturas originais e únicas, mais múltiplos em gravuras pochoir.
Conversei bastante com seu Amaro enquanto caminhava a sua frente, ao lado, registrando as cenas depois transformadas em obras plásticas. |
|
Acabei comprando e tenho até hoje, a peneira grande que aparece pendurado na taquara que lhe servia para exposição e transporte dos seus produtos. Um autêntico varal humano e móvel.
Seus filhos eram três, uma jovem moça, um adolescente e um pequeno piazote, que o acompanhavam. Transportavam os cestos pendurados nos braços ou sobre a cabeça fazendo sombra.O conjunto todo se locomovendo pela praia era fantástico e plasticamente belo.
Exemplo de persistência e habilidade mais capacidade de empreendedor. Produtor e vendedor ao mesmo tempo. Certamente, produz fora da temporada e sai para vender quando os potenciais clientes estão na praia.
Realmente artesão e não simples empregado de outros vendendo mercadoria industrializada. Vestidos, cangas e redes nordestinas, como vemos comumente. Este artesão trabalha para si mesmo e é exemplo para seus filhos.
Quem sabe possamos lutar para que, por aqui só reais artesão ocupem lugares públicos, praias e principalmente a belíssima praça na frente da igrejinha.
Obrigado pela companhia. Semana que vem, tem mais.
|