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  VELHO E FAZENDO PLANOS
 

 

07/05/08- 19:30h

A frase original acima não é minha. Eu a li numa crônica intitulada “Duas Vidas”, da excelente Martha Medeiros. Começa falando de Mario Quintana que dizia haver somente duas idades: vivo ou morto.

Concordo, por experiência pessoal. Com 42 anos, consegui o que é sonho de muitos. Não preciso mais trabalhar. Auto aposentei-me vendendo minha parte numa empresa que continua crescendo até hoje. Já tinha conseguido independência econômica que me permitiria ser um “vagabundo” profissional.

Pensava ter conseguido o que sonham muitas pessoas. Não precisar “trabalhar”. Descobri a duras penas que nem todos têm o privilégio de ficar sem fazer nada. Eu não consegui ficar sem fazer nada.

Como não queria mais trabalhar, pensei então, por “trabalhar”? Por que não simplesmente ter uma atividade prazerosa? Fazer somente o que me proporcionasse satisfação, que me fizesse esquecer o tempo passando.

Fotógrafo amador de fotografias em preto e branco enquanto empresário, comecei colorindo em ponto maior, minhas fotografias. Pronto. Agora não trabalhava mais. Perfeito vagabundo. Estava fazendo única e exclusivamente o que gostava.

Acredito que outros gostaram também do que eu fazia, pois aos poucos, queriam comprar minhas “artes”. Perfeito. O dinheiro como conseqüência e não como finalidade.

Pouco depois decidi pintar em estilo próprio para que reconhecessem minhas obras mesmo que não estivessem assinadas. Já se passaram mais de vinte anos depois dessa decisão.

 

Muitas coisas aconteceram neste período. Continuo ansioso querendo fazer mais, prazerosamente. Continuo sonhando, fazendo planos e projetos para tornar estes sonhos factíveis.

Artista multimídia, já transitei por todas as técnicas e temáticas. Pintura, escultura, arte aplicada, cerâmica. Para ilustrar a crônica escolhi uma seleção de imagens de obras minhas.

Em Mosaicos cerâmicos. É uma imagem que mostra o que quero dizer. Fazer mosaicos é juntar cacos, partes de algo aparentemente sem valor, para formar, criar o inusitado, o novo.

Hoje, transfiro para a próxima obra a mania de perfeição. Escrever crônicas como esta é uma das minhas novas metas. Quero continuar a só fazer o que me dá prazer. Sempre que consigo, o resultado é sempre melhor.

Todos, em qualquer idade, podem alcançar o que querem. Este é o meio. Querer. Saber o que se quer é mais da metade do caminho andado. Parar de brigar consigo mesmo e ter sonhos, transformá-los em projetos e sentir prazer em todo processo.

Não importa qual seja. Se você acredita e faz o que é necessário, os caminhos se mostram naturalmente.

Disse um poeta “hermano”, que infelizmente não lembro o nome, “Caminantes, no hay caminhos. Se hace el caminho al andar”. Acredite. Você pode. Enquanto estiver vivo.

Obrigado pela companhia. Semana que vem tem mais.


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