Texto que li na Noite de Natal de 2007:
Nosso primeiro juntos foi em mil novecentos e sessenta e um. Já éramos quase uma família. Tu já carregavas no ventre uma semente que ali eu colocara numa das nossas folias de “recém sós”.
No vinte quatro de dezembro de sessenta e três já éramos cinco. Três meninas lindas e diferentes já então. Disputando nossos carinhos, atenções e produzindo muitas e não descartáveis fraldas.
Foram anos de pinheiros naturais, preparados na noite de vinte e três, depois isolados com lençóis.
Era tradição, naquela época, que as crianças não pudessem ver a árvore e o presépio, até a hora em que, todos juntos, compartilhávamos a Noite de Natal.
Durante muitos anos, nossos vinte e quatro de dezembros diurnos iniciavam-se de madrugada e começavam de novo à noite para festejar o nascimento de Cristo.
Durante o dia, tínhamos nossos negócios para cuidar. Como pai juro que não sei como fazias para organizar tudo e como cuidavas de nossos nenês que logo viram menininhas, depois mocinhas, logo adolescentes e agora adultas.
Lembro sim, isto muito bem, que sempre celebramos todos juntos nestes quarenta e sete anos. Quer dizer, quase sempre. Foram menos do que uma mão cheia os que não estivemos todos reunidos.
Num destes vinte e quatro, já faz muito tempo, uma das filhas estava no Tennesse estudando e hospedada como “filha” com a família que assim a recebeu. |
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Noutro, com a nossa neta já de seis meses, festejamos o vinte quatro rodeados de novos amigos em Basel, na Suíça. E este hoje, com a ausência de duas.
Uma se preparando se preparando para, com o marido, realizar mais uma aventura-trabalho na Patagônia e a primogênita com tudo para organizar e ficar aqui conosco no verão.
Mas nossa filha mais nova está aqui, a sua companheira com ela e nossa neta preferida também está. Somam três mulheres aqui conosco.
Lembro também com saudades dos pacotes de presentes. Não somente dos que estavam debaixo do pinheiro enfeitado e que tu preparas com tanto carinho.
Estes esperavam ser desembrulhados. Lembro mais é de todos que, enquanto vivos, compartilhavam dos nossos Natais.
Lembro também de todas as ceias que preparas até hoje. Da mesa bem decorada que sempre tivemos. Até em Basel, meteste a mão.
Também lembro que sempre tivemos consciência que nosso maior presente é desfrutar a alegria de viver intensamente nossos vinte e quatro de dezembros.
Com carinho de quem te ama desde os meus quatorze anos.
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