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  UM QUÊ DE TRISTEZA
 

 

28/08/08- 09:15
 

Aparentemente invisível, ela é vista onde se olhar bem . Um quê de tristeza não explicável , parece residir dentro de cada um de nós , seres humanos .

Por quê ? Diga-me você . Tudo está como planejado. Os dias se repetem sem abalos maiores , as finanças sob controle , porém aquele que de tristeza permanece.

Quem , em algum momento, não sentiu algo diferente , inexplicável . Um quê de tristeza . Depois, nalgum momento , como veio, desaparece.

Leio muito . Autores otimistas como eu , que confessam terem sua fórmulas para momentos como estes, que são inevitáveis . Ceramistas amassam o barro e trabalham no torno erigindo suas peças . A mão, deslizando na argila, expulsando a sensação de tristeza . Lembra esta cena em “Ghost”, o filme que revelou Demi Moore e Patrick Swayse? Outros têm pequenos procedimentos que os leva de retorno ao dia “ normal ”.

O título desta coluna é de um livro que li na adolescência e do qual tenho vaga lembrança . Gostaria de relê-lo se fosse possível, e ver como o autor da ficção conduziu a trama . Era sobre um comerciante classe média , bem casado , filhos saudáveis e que de tempos em tempos se confrontava com seus “ fantasmas interiores e inexplicáveis ”.

Quantos de nós temos sensações idênticas. Consigo dominar e conduzir as minhas conversando sobre minhas experiências de ex-empresário, sobre meus sonhos de “ fazer arte ”, deixando minha criança interior correr solta conduzindo os dedos no teclado .

Outro dia li algo que me fascinou. Dos brinquedos infantis, um dos mais simples é o balanço .

 

Basta um galho forte e reto , cordas resistentes, uma táboa sólida e disposição para alcançar as nuvens com os pés . Não tem tristeza que resista. Por que não fazem balanços para adultos ?

Justo agora estou pensando em construir um, junto ao meu atelier. Ridículo ?

Lembro então a frase de Luis Fernando Veríssimo que me libertou definitivamente , embora na ocasião não soubesse o tamanho da liberdade que alcançava. Foi em 1988, quando Veríssimo tinha uma coluna na “Veja” e, falando sobre liberdades, no último parágrafo escreveu: “ Mas eu desconfio que a única pessoa livre , realmente livre , completamente livre , é a que não tem medo do ridículo

E já que estou citando escritores, aí vai mais uma pra “ chutar ” o tal “quê de tristeza”.

Felicidade é tirar o máximo proveito do que se tem e riqueza é tirar o máximo proveito do que se conseguiu . ” Quem escreveu? Rosamunde Pilcher, em “Catadores de Conchas ”

Quem , em algum momento não sentiu algo diferente , inexplicável . Um quê de tristeza . Nalgum momento , como veio, desaparece. A minha acaba de se escapulir neste instante em que converso com você .

Obrigado pela companhia . Apareça sempre .

ricardo@blauth.com.br




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