Estou lendo um autor que me foi recomendado. Roman Rolland, que em 1915 recebeu o Nobel de Literatura . Desconhecia completamente o nome e/ ou alguma obra do mesmo . O personagem da trilogia deste autor que comecei a ler é Jean-Christophe, que segundo a orelha do livro um , viria a se tornar um gênio musical.
Já no primeiro capitulo o personagem mostra a que veio . Viaja mentalmente desde a primeira infância ,. Criança imaginativa que , pelas palavras do autor , aproveita qualquer oportunidade para brincar .
Hoje mundo está no início do fim da fúria consumista que ameaça o planeta .
Ensinar as crianças a construírem seus próprios brinquedos é um excelente começo . A criança valoriza mais aquilo que ela própria conquistou, prazerosamente .
Quem diz isto é minha criança interior que relembra a própria infância . Latas velhas, pneus usados, arcos de ferro velho , cordas , pedaços de madeira , papelão , telhas descartadas, qualquer coisa servia para a criança imaginativa . Câmeras usadas de pneu de bicicleta , cortadas em tiras davam excelentes esticadores para as fundas ou estilingues que fazíamos com forquilha cuidadosamente escolhida nos matos ao redor da casa . Rolamentos usados eram cuidadosamente engraxados, colocados em varas de madeira , formando os eixos sobre os quais se prendia uma taboa selecionada , cortada e lixada, para fazer nossos carrinhos de lomba . Morros da vizinhança eram preparados para descer em competições ou por puro prazer .
Para fazer uma pandorga , como chamávamos as hoje conhecidas pipas , colecionávamos papeis , preparávamos varetas de taquara , muita corda , mais cola caseira feita de polvilho . O prazer começava com a vontade , com o desejo de fazer voar a nossa pandorga . Não havia pandorga pronta . Cada um era o artesão da sua . O rabo da mesma era feita com panos velhos que a mãe cedia. |
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Adultos , pais hoje , não se permitem prazer de ensinar e brincar com seus filhos e sua criança interior .
Experimente fazer um balanço que voe bem alto , fazendo seus pés atingirem as nuvens .
Não tem stress que resista às gargalhadas que brotam espontâneas.
Nenhum brinquedo pronto substitui o prazer do fazer , criar , inventar . Fazer o brinquedo é parte da brincadeira .
Mesmo que seja coisa séria como atravessar o Atlântico remando sozinho como Amyr Klink, ou provar na prática teses como Thor Heyerdahl que convidou mais amigos e construiu uma jangada no Peru , que as correntes levaram a Polinésia , provando assim sua tese .
Exemplos não faltam de que mais e mais adultos estão deixando aflorar a sua criança interior .
Basta ver nos documentários de pesquisadores que reconstroem projetos as vezes milenares .
Muitos , entretanto , insistem em comprar pronto , se privando do prazer do fazer .
Do se permitir errar para acertar fazendo.
Solte, liberte, de asas à sua criança interior . O prazer de ver funcionando, uma coisa na qual você colocou a mão na massa , só é permitindo a quem o faz. O desafio de realizar pelo simples do fazer .
Sua criança interior vai lhe dar uma alegria que você acreditava ter perdido.
ricardo@blauth.com.br
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