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O simples nunca é fácil
 

 

29/01/09- 09h
 

Se fosse fácil não seria simples. Simples, não? Simplicidade começa simplesmente com uma palavra positiva. Sim, simples é a completa ausência de complicação. Para tudo. Para agir, falar, escrever. É a naturalidade de ser franco, honesto, puro, sem pompa ou sofisticações. Simples é o charme das flores mais belas, da água mais límpida, da beleza da metamorfose das borboletas. Simples é a natural na natureza.

O simples, a simplicidade evita ornamentos dispensáveis. Só exige o necessário à sobrevivência, à preservação da espécie. O simples é fácil de entender talvez por isto difícil de executar, de fazer. É modesto, singelo, comum. Está tudo descrito lá no dicionário. Se quiser confira. A simplicidade não aceita fingimento, dissimulações. A malícia é o contrário da simplicidade.

Quando se toma uma decisão deveria ser simples executar o decidido. Nem sempre o é. A simplicidade do querer deve ser forte, pura, sincera para vencer as barreiras invisíveis, mas que estão em nossas mentes, que treinadas ao contrário, não acreditam, não aceitam a simplicidade do simples.

As pessoas que alcançaram a simplicidade atingiram mais do que isto. A força que emite uma pessoa genuinamente simples é algo fantástico. Poderia falar aqui de Cristo, Buda, Gandhi, cujas vidas são de todos conhecidas. Prefiro falar de Patativa do Assaré para ficar em alguém contemporâneo e que era um poeta e erudito natural.

Simplesmente isto. Agricultor freqüentou menos de três meses, isto mesmo, três meses de escola de interior e desistiu por não ter nada a aprender que já não soubesse. Este homem simples viveu até pouco tempo atrás e tive o privilégio de ver uma entrevista ao vivo quando já octogenário e ainda agricultor, recitava Camões, os Lusíadas e Castro Alves de cor. Cérebro simplesmente privilegiado teve seus versos cantados por Fagner por exemplo.

Lembro de cor as palavras que disse quando à repórter o perguntou se não tinha medo da morte. Disse simplesmente e de improviso dois ou ter versos do qual escrevo o que mais me marcou: “ Quando um dia eu morrer / eu sei que a terra me come / mas fica bem vivo meu nome / naqueles que gostam de mim.”

Que tal pensar a respeito e simplesmente aceitar que o simples é possível. No ano de 2009, 2010 e nos outros que virão.

É SIMPLES.

ricardo@blauth.com.br


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