|
Nasci numa família protestante onde não existem santos. Mas a figura de São Francisco é muito forte no imaginário popular e acredito que mesmos meninos como eu fui sabiam que se tratava dum homem que num determinado momento da sua vida passou a dedicá-la exclusivamente à Deus e que conversava com os pássaros.
Hoje septuagenário acredito que tenha sido o contrário. Eram os pássaros que conversavam com ele e lhe ensinaram a ouvir os silêncios, as forças e as belezas da natureza. Foram os pássaros que lhe mostraram como colocar em palavras sonoras sabedorias fáceis de entender.
Como não ser sábio o homem que nos ensinou a orar assim :
“Senhor, daí-me CORAGEM para fazer o que é necessário, FORÇAS para aceitar o que não pode ser mudado e SABEDORIA para saber a diferença”
Acredito que o homem Francisco possuía a sabedoria dos que estão em paz consigo mesmo e em sua humildade não pregava sermões inúteis. Falava isto sim da Sabedoria da Natureza, aprendida com os pássaros e fazia isto com a voz que eles lhe ensinaram.
Eles lhe ensinaram que os pássaros também sofrem, pois não existe vida sem sofrimento em algum momento. Mas os animais, diferentes dos homens não sofrem por antecipação.
Saber sofrer é uma lição difícil de aprender. Se não sofrermos quando algo terrível nos golpeia algo está errado conosco, ensina Rubem Alves. Mas sofrer antes da hora é doença, pois se formos prisioneiros de ansiedades sofreremos por algo que só existe na nossa imaginação e nos pré-ocuparemos com algo que pode vir a não acontecer.
Por isso acredito que São Francisco, aquele que nos ensinou uma oração fabulosa, que não me canso de repetir a aprendeu com os pássaros, criaturas de Deus como nós.
RICARDO Garopaba BLAUTH
48 9922 5333
|