Nas paredes do meu atelier reverencio um poeta que nasceu assim. Poeta. Morreu com quase cem anos e freqüentou escola por apenas três meses. Nada podiam ali lhe ensinar que já não soubesse, disse voltando para a roça. Pobre, agricultor e culto.
Sabia Camões e Castro Alves de cor e para ele fazer poesia era tão natural quanto falar. Nunca quis outra coisa além de ser agricultor e fazer seus versos. Mesmo depois de conhecido nacionalmente, mesmo depois de ter seus versos cantados principalmente por Fagner, mesmo assediado por gravadoras e contratos, preferiu ser ele mesmo. Livre, pobre e autentico.
Patativa do Assaré, nome que adotou, viveu de 1909 até 2002. Tive o privilégio de ver um extenso programa do Globo Rural em que foi entrevistado pouco antes de morrer. Gravei um dos versos que disse quando a repórter lhe perguntou se não tinha medo de morrer :
“quando chegar o meu dia
eu sei que a terra me come
mas fica bem vivo meu nome
naqueles que gostam de mim”
Patativa é um pássaro canoro e Assaré o nome do local onde viveu toda sua vida. Simples assim como é simples tudo que é genial. Patativa do Assaré, sua imagem e voz está indelevelmente gravada em minha memória.
Sou um dos que vai
“manter bem vivo seu nome
pois sou um daqueles que gostam dele”
RICARDO Garopaba BLAUTH
48 9922 5333
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