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  Estresse Engorda!
 

 

03/09/10 -21h

Estresse Engorda!

Por muitos anos suspeito-se que o estresse influenciava diretamente no ganho de peso, baseado principalmente na observação cotidiana de especialistas.

Porém, atualmente existem provas científicas que emergem de estudos mundiais para justificar estas observações.

Só no ano passado, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) destinou US$ 37 milhões para as investigações sobre comportamentos associados ao aumento de peso com a finalidade de encontrar intervenções efetivas contra a epidemia de Obesidade, problema que atinge atualmente cerca de 400 milhões de pessoas no mundo.

Os estudos estão mostrando que o estresse crônico altera as respostas do organismo e leva a obesidade. Estas transformações impostas pelo estresse ocorrem em diversas frentes.

Níveis de Cortisol

Este hormônio está associado ao estado de prontidão do organismo. Seus níveis sobem algumas horas antes de acordarmos, atuando como uma espécie de despertador.

De ação prolongada, sua quantidade no sangue cai gradativamente ao longo do dia, chegando a taxas mínimas no final da tarde, numa preparação para o relaxamento da noite.

Estudos constataram que a insônia, a depressão e o estresse crônico mantêm o cortisol alto o dia todo, induzindo o corpo ao alerta constante. Indivíduos em estresse prolongado produzem 2 a 3 vezes mais cortisol do que o normal. Com relação ao mecanismo de controle ou ganho de peso, isso é um desastre.

O cortisol excessivo representa um sinal de perigo que o corpo traduz como uma ordem para poupar energia diante de uma iminente situação de emergência, desencadeando uma série de fenômenos.

As células de gordura recebem um sinal químico como tivessem recebido uma dose de fermento, começam a crescer em tamanho e número. Para piorar a situação, o cortisol favorece o acúmulo de gordura na região abdominal, justamente o tipo de obesidade mais preocupante, pois favorece o depósito de placas de gordura nas artérias, à doenças cardíacas e à diabetes.

Sistema Endocanabinoide

Desempenha um papel importante no controle do gasto e do acúmulo energético e no metabolismo para compensar algum sofrimento.

Quando este sistema é submetido a um estresse diário, ele vai trabalhar de forma a forçar o indivíduo a achar algo que o alivie. Do ponto de vista cerebral, uma das formas mais efetivas para aliviar o estresse é aumentar o consumo de comidas saborosas, ricas em gordura e açúcares.

Isso ocorre porque esses alimentos, indiretamente, provocam o aumento da produção da serotonina, conhecida como o hormônio do bem-estar, relaxa, alivia as sensações dolorosas e até induz ao sono.

Portanto, inconscientemente, ingerimos guloseimas quando estamos estressados para responder a um pedido do corpo por mais bem-estar, o que acaba gerando gordurinhas extras.

 

 

Crise de Abstinência

Cientistas da Califórnia descobriram que se o organismo for privado subitamente de um alimento que lhe dava conforto e prazer, geralmente as massas e os doces, ele corresponde da pior maneira possível.

Ocorre um estresse cerebral e o desencadeamento de uma reação exagerada. Na verdade, a pessoa torna-se vítima de uma crise de abstinência, semelhante à que acontece em caso de dependência de drogas.

O cérebro fica tentando voltar ao seu padrão “habitual não saudável”, ao vício de comer alimentos gordurosos. Então, presume-se que mudar radicalmente de dieta, tirando de uma hora para outra os alimentos a que se está acostumado, não é uma boa estratégia.

 

Insônia e Ganho de Peso

Um estudo realizado nos Estados Unidos revelou que a insônia, sintoma evidente em pessoas estressadas e ansiosas, contribui de forma expressiva para o ganho de peso.

A insônia hiperestimula neurônios do hipotálamo, que são muito sensíveis ao estresse. Estas células nervosas excessivamente ativadas podem levar a reações exageradas como comer demais.

Desta forma, pessoas com problema de sono e peso devem adotar medidas para regularizar as duas coisas, em vez de tratar apenas um ou outro.

Medidas de Prevenção

- Quando sentir o desejo de comer alimentos gordurosos em momentos estressantes, pergunte-se antes se realmente você está com fome ou será apenas um ato mecânico e involuntário;

- Não faça da comida uma forma de aliviar as suas angústias e aflições, modifique estas atitudes para evitar o ganho de peso;

- Preste atenção na quantidade e na qualidade da comida que você está colocando no prato. Pessoas estressadas comem sem perceber o quanto estão comendo e o que estão comendo;

- Não fique muito tempo em jejum. Isso gera uma queda nas quantidades de açúcar do sangue, deixando-o mais suscetível a uma escolha racional, fazendo com que você coma a primeira coisa que estivar a sua frente;

- Coma devagar e mastigue bem os alimentos.

- Dê preferências aos alimentos saudáveis. Produtos integrais são digeridos mais lentamente, proporcionando maior sensação de saciedade;

- Faça da geladeira sua aliada. Abasteça a geladeira somente com alimentos com baixas calorias: frutas, legumes, verduras, iogurte e leite desnatado, queijo branco, sucos e entre outros;

- Pratique atividade física para minimizar a tensão e relaxar.

GABRIELA AMBRÓSIO ZANONI
Nutricionista
CRN10 1963
gabiamb@hotmail.com
(048) 8402-8495

 


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